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CNEN define medidas para reduzir efeitos da suspensão no fornecimento de molibdênio-99
A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) já estuda medidas para reduzir o impacto da suspensão de fornecimento do molibdênio-99, matéria-prima para a produção do tecnécio-99, principal radiofármaco usado na área de medicina nuclear no Brasil. O produto é importado da empresa canadense MDS Nordion, que informou a necessidade de suspender o fornecimento devido a problemas no reator nuclear onde o material é produzido. A CNEN planeja comprar molibdênio-99 da Argentina e negocia com a MDS Nordion o fornecimento de tálio-201, que pode substituir o tecnécio-99 em alguns casos.
O tecnécio-99 é um radiofármaco empregado no diagnóstico de tumores, funções renais, problemas pulmonares, cardiológicos e hepáticos. É utilizado em cerca de 80% dos procedimentos da área de Medicina Nuclear no País. No Brasil, o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), unidade da CNEN em São Paulo, fornece semanalmente, a cerca de 300 clínicas e hospitais do País, os chamados geradores de tecnécio, equipamentos que usam o molibdênio-99 para geração do tecnécio-99.
O contrato para fornecimento de molibdênio-99 foi assinado pelo Ipen e a MDS Nordion em dezembro do ano passado, após a empresa vencer uma concorrência internacional. No dia 28 de maio a MDS Nordion informou que o reator nuclear NRU, onde o molibdênio-99 é produzido, ficaria fora de atividade por pelo menos três meses. O Ipen já enviou carta a seus clientes alertando sobre as dificuldades de fornecimento dos geradores de tecnécio-99 e orientou-os quanto a formas de melhor aproveitamento do material.
A CNEN estuda as medidas cabíveis para impor as penalidades legais à MDS Nordion, mas centra seus esforços em diminuir o impacto que a falta do molibdênio-99 pode causar a pacientes de clínicas e hospitais brasileiros. De imediato, a Argentina dispôs-se a fornecer, semanalmente, o equivalente a 30% da demanda brasileira de molibdênio-99. A negociação está em curso, faltando apenas solucionar questões de transporte e obtenção das licenças necessárias.
A CNEN busca também identificar exames onde o tecnécio-99 possa ser substituído por outros radiofármacos, como por exemplo o tálio-201. Ciente de que haverá um período de dificuldades no fornecimento dos geradores de tecnécio-99 e dos radiofármacos que possam substituí-lo, a CNEN buscará o Ministério da Saúde para auxiliar na definição de critérios sociais e médicos para distribuição dos radiofármacos a serem disponibilizados.
Para a solução do problema a médio prazo, a CNEN está desenvolvendo o projeto de um novo reator de pesquisa que, em cerca de seis anos, tornará o Brasil independente de importações nessa área.
Fonte: Comunicação Social CNEN
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